“Em nossa profissão temos que ter muito cuidado com vigaristas …”

Ele poderia ter concedido uma entrevista com respostas prontas, sem entusiasmo e econômica com as palavras. Acontece que o Carlos Dias, Mr Cataratas do Iguaçu, que concorre ao Mister Brasil 2015, não é uma pessoa comum. Dono de uma humildade, franqueza impressionante e muito além de um rostinho bonito, Carlos já foi ajudante de pedreiro, garçom e atualmente faz malabarismos para conciliar sua rotina de modelo e personal trainer, além dos estudos que nunca abandonou. Se vida de modelo nunca  interessou a você, vai mudar seu conceito com essa entrevista.

carlos dias

Carlos Dias. Foto: Reprodução

1- Tem percepção que fama, sucesso e reconhecimento trazem muitas alegrias, mais também pessoas oportunistas que podem se aproveitar disso para prejudicar sua carreira

Carlos Não acredito que alguém possa prejudicar uma carreira, indiferente de qual for a profissão. Sempre haverá pessoas oportunas para conseguir algo, ISSO É FATO, porém, o bom profissional sabe identificar quem é oportunista e quem está do seu lado pelo profissional ou até mesmo pelo pessoal.

2- A rotina de cuidar da pele, cabelo, corpo, isso vem desde muito cedo ou quando começou a modelar profissionalmente?

Carlos Eu sempre tive muito cuidado com minha pele, mas foi decorrente de ser um adolescente cheio de espinhas (risos), eu sempre era o espinhento, cara de abacaxi e patinho feio da turma, então sempre tentei cuidar da pele. Já a alimentação comecei a cuidar quando comecei a graduar Educação Física em 2006.

Quanto aos cuidados com os cabelos, eu comecei a cuidar quando a carreira de modelo estava me prejudicando, é muita prancha, escova, laque, gel, escova em cima de laque… meu cabelo começou a cair muito, ficar muito seco, quando posso ficar em casa gosto de lavar meus cabelos, passar uma máscara pra hidratar bem, secar no ar frio e ficar descabelado sem me preocupar com minha imagem, me sinto um espantalho dentro de casa, todo desarrumado e descabelado, mas amo ficar assim sem me preocupar com minha imagem.

3-Qual o seu diferencial em relação aos outros concorrentes? Qual seu discurso de vida que defende e propaga?

Carlos Eu não me vejo tendo um diferencial em relação aos outros modelos, e nunca me senti melhor que ninguém, gosto de fazer meu trabalho bem feito e me dedico nas campanhas para que toda equipe atinge bons resultados. Sou muito simples em tudo, tenho assunto com a cozinheira, faxineira, donos da marca, fotógrafos e se eu ver que precisam de algo eu vou lá e faço.

Acredito que não é pelo fato de eu ser modelo que não posso pegar um pano e passar no chão que está com sujeira e que vai atrapalhar depois nas imagens e edições. Eu defendo muito “um bom clima” de um trabalho, e se todo mundo se ajuda certamente o trabalho irá render e será mais satisfatório fotografar ou gravar, e esse clima muitas vezes depende do modelo, pois tem muitos models que realmente são chatos pra caramba e que quebram todo clima de um editorial. A simplicidade e a humildade andam juntos com o profissionalismo, ter ética e respeito é bom e não faz mal a ninguém.

4-O que diz para pessoas que acham a carreira de modelo e participação em eventos de concursos de beleza uma futilidade?

Carlos Na realidade fútil é julgar algo que não se tem conhecimento, e geralmente quem fala mal e tiram conclusões precipitadas são pessoas que não tem conhecimento sobre esta profissão, então se a pessoa não tem conhecimento e julga sem ao menos ir atrás para saber melhor do que se trata eu abstraio, filtro apenas o que vale a pena. Críticas construtivas sempre são bem vindas, pois ajudam no crescimento pessoal e profissional, já críticas sem fundamentos não tem o porquê serem absorvidas. 

Hoje eu tenho uma Clínica de Personal Trainer que atendo desde do público fitness, cardiopatas e grupos especiais (portadores de necessidades especiais), tenho duas graduações em Educação Física, uma pós graduação e outra que pretendo concluir assim que acabar minha correria, e tudo o que construí hoje foi decorrente da profissão de modelo, eu já fui garçom e até ajudante de pedreiro, aos poucos fui conquistando minhas coisas e hoje tenho um nome por tudo isso. Então por trás disso tudo se escondeu um sonho que hoje consegui realizar por ter virado modelo.

5- Vivemos em um país machista. Sofreu algum tipo de preconceito em seguir essa carreira?

Carlos Eu acho isso muito “engraçado”, por mais que eu vivo nesse mundo, nunca tive nenhum tipo de constrangimento. Não sei se é porque eu passo por despercebido e não reparo o ambiente a minha volta, muitos homens ainda me perguntam se eu vejo as modelos se trocando em desfiles, fotos… outros ainda pedem como eu aguento elas semi nuas em alguns trabalhos (risos), é claro que tudo exige ética. Eu tenho alguns amigos que já passaram por constrangimentos, mas acredito que tudo é decorrente de você ter uma postura perante a sociedade, saber ser profissional e se alguém fazer algum comentário maldoso não se importar, pois o que vale é você fazer seu trabalho, respeitar todos envolvidos e ser respeitado também, sem se importar com o que vão achar ou pensar.

6- Quais projetos profissionais para o segundo semestre desse ano? Se ganhar o concurso tem uma meta de planos?

Carlos Meu projeto é continuar trabalhando mais, continuar conciliando minhas 2 profissões e sempre que puder ter vida social.Se eu ganhar o concurso será uma surpresa pra mim, os outros Misters são bem fortes com perfis bem bons e realmente tenho medo, as vezes quando vejo as fotos da galera paro e penso: “O que que vou fazer lá?”, nunca fui muito ligado a concursos, e estou descobrindo um novo mundo, antes de ter virado Mister eu era apenas um modelo normal com minha correria cotidiana e hoje falar que também sou um Mister tem um peso maior na minha postura. Ganhando ou não levarei comigo toda essa experiência e crescimento mais pessoal do que profissional.

7- Como administra a rotina intensa de trabalho, com família, amigos?

Carlos Confesso que não é fácil, moro só a quase 10 anos, de certa forma acostumei com a distância da minha família, atualmente minha casa é no Paraná e toda minha família mora no Mato Grosso, minha mãe e alguns amigos de infância sempre que podem vem me visitar e passar uns dias comigo e sempre que minha mãe está comigo eu a levo para meus trabalhos, assim podemos aproveitar mais tempo juntos. Hoje tenho grandes amigos, são poucos, mas os considero como meus irmãos, e muitas vezes eles cobram minha ausência, eu faço o possível para estar presente, principalmente se algum deles está fazendo aniversário. Natal e Ano Novo são raros em família pra mim, há uns 4 anos que não passo com eles. Esse é o lado ruim da profissão, e mais complicado é ter duas profissões onde ambas exigem muito do seu tempo.

8- Tem tempo para namorar e manter uma relação?

Carlos Tempo tempo não tem (RISOS), mas pra tudo se dá um jeito e quando a gente quer não existem desculpas. Eu amo namorar e ter alguém, sou carente assumido, porém, não levo uma vida normal, não trabalho de 6 a 8hs por dia, em época de temporada fico de 3 a 4 meses sem saber o que é final de semana em casa, o jeito é ir viajar, fazer bate e volta e ficar ao lado do amor nem que seja por 5h e depois correr pegar a estrada novamente, só de estar ali perto, abraçadinho, trocando carinhos já é o suficiente, e sempre quando posso levar o “mozin” para os Jobs também carrego junto. Fora de temporadas já é mais tranquilo, tenho mais tempo e me dedico mais.

Mesmo distante fico ali no celular mandando fotos, mensagens ou ligando pra falar como está tudo, mostrando tudo o que está acontecendo nos bastidores. Hoje em dia a tecnologia vem nos ajudando muito a manter contato, há aplicativos que dá pra fazer chamadas de vídeos que ajudam muito a está presente mesmo estando longe, e é claro, a pessoa que quer estar do meu lado tem que entender minha vida assim como eu tenho que entender a vida dela, além do respeito a confiança é primordial pra um relacionamento assim.

9- Se o mundo não é perfeito, no seu universo particular o que anda funcionando bem?

CarlosMeu mundo particular é meu mundo profissional. Nem tudo é um mar de rosas, ainda mais na vida de modelo (risos), tem muito glamour, mas por de trás das câmeras se esconde horas e horas de trabalho, desgaste físico, ainda mais quando se pega uma campanha com um model chato (risos). Em nossa profissão temos que ter muito cuidado com vigaristas, com gente que quer aproveitar o momento e chega querendo passar a mão, isso é fato e infelizmente ainda existem algumas pessoas que não são profissionais e querem tirar proveito de certas situações, por isso é IMPORTANTE você ser apresentado por uma agência séria e que realmente valoriza seu trabalho, evitando assim esse tipo de gente.

Mas longe desse agito todo sou a pessoa mais feliz do mundo quando estou com meus amigos ou família, em casa ou em uma viagem onde podemos aproveitar em um barzinho que você ir de chinelo de dedos, de bermuda, desajeitado e que ninguém vai reparar você e falar que você está num bar qualquer bebendo e dando risada, isso é o que funciona bem pra mim, é o que me faz sentir tranquilo.

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