“Mas esse mundo da música está assim. Instantâneo.”

Com a mesma alegria que tive oportunidade de vê-la brilhar na avenida na época do “boom” da Banda Beijo, onde assumiu os vocais na metade dos anos 90, muita alegria sinto em anunciar a entrevistada dessa semana no Blog Cjmartim. A cantora Gilmelândia. Com seu jeito “levada da breca” e seu talento, sempre acrescentou muito para a Música popular Brasileira (MPB) e para o Carnaval de Salvador, que vive cercado de grandes cantoras, mas sempre teve em “Gil” um xodó grande.

Cantora Gilmelândia . Foto : Reprodução / Assessoria

Cantora Gilmelândia (Foto : Reprodução / Assessoria)

Cjmartim Muitas estrelas do axé music não admitiram que o movimento musical passa por uma crise, talvez porque teriam que admitir que suas carreiras também andam em crise. Essa crise do axé é exagero da imprensa ou é um fato?

Gilmelândia É uma crise no país. Só que realmente é preciso parar pra pensar o que podemos melhorar para que se tenha mais músicas de axé tocando nas rádios e também o nosso carnaval que está precisando de ajustes.

Cjmartim– Porque a maioria das cantoras estrangeiras se utiliza do playback em seus shows? Aqui no Brasil, temos excelentes cantoras que dançam e cantam sem precisar utilizar o recurso. Considera uma ofensa com o público a utilização desse modo de apresentação?

Gilmelândia–  Não acho ofensa alguma, afinal de contas cada um tem o seu modo de trabalhar.

Cjmartim– Em cima do trio elétrico, o artista consegue ter dimensão que muitos que estão ali pulando com ele, pegaram ônibus cheio, gastaram o que tinham e o que não tinham por essa diversão ou simplesmente a razão tem que falar mais alto porque existe uma responsabilidade enorme?

Gilmelândia Eu penso em tudo ao mesmo tempo, só não abro mão da segurança dos que estão ali. Somos diferentes mesmo! Como disse Nelson Mota: “ELES SÃO ATLETAS DA MÚSICA” Isso se referindo aos artistas baianos.

CjmartimTive o prazer em assistir seu show no TCA, prestando uma linda homenagem ao cantor Caetano Veloso. Particularmente acreditava em um DVD do projeto. Como surgiu a ideia e se pretende dar continuidade a essa homenagem em outra oportunidade?

Gilmelândia  A ideia surgiu através de Jonga Cunha. Já faço esse show em outros lugares quando me contratam. Já estou com um outro projeto para outro artista nesse formato e pretendo fazer algumas apresentações em Salvador ano que vem.

Cjmartim– Você, quando surgiu para mídia, já chegou com um diferencial. Fazia a linha “menina sapeca”, animada, com boa presença de palco e voz potente e utilizando muitas calças em show, algo incomum para cantoras do gênero. O artista que tem talento, mas não tem uma marca, um estilo, algo que seja sua síntese, pode encontrar dificuldade de formar seu público?

Gilmelândia  Não necessariamente. Mas quando vem assim diferente chama realmente muita atenção. O diferente sempre se destaca!

Cjmartim Tambor de Gil é o nome do seu novo Ep. Como surgiu o nome do disco e o que defende atualmente nesse novo projeto?

Gilmelândia– O músico Cara de Cobra deu esse nome ao EP. Faço uma homenagem a percussão da Bahia, mostro meu lado compositora e trago de volta nas músicas alguns instrumentos que já foram abolidos do set de percussão. E até resgato ritmos esquecidos.

Cjmartim– Você teve oportunidade de apresentar programas de auditório em algumas emissoras. O fato de ser cantora, lidar com o público, facilitou para essa transição? Em uma análise crítica, acredita que teve, mas acertos do que erros na execução dos programas?

Gilmelândia – Com certeza por lidar com o público foi mais fácil pois tinha plateia. Mas pode ter certeza é diferente demais lidar com as câmeras e um ponto no ouvido, alguém falando com você o tempo todo. Só acertos e muita felicidade. Sou apaixonada!

Gilmelândia no projeto Gil canta Caetano que lotou o TCA em 2011 (Foto/Reprodução)

Gilmelândia no projeto Gil canta Caetano que lotou o TCA em 2011 (Foto/Reprodução)

Cjmartim– Qual a fonte de inspiração para executar seus projetos?

Gilmelândia – Gosto de realizar. Foco e fé! Fico pensando: Poxa muitas pessoas vão sorrir e se emocionar. Aí fico imaginando os rostos delas felizes, rindo.

Cjmartim– Apesar da carreira solo de alguns anos, ainda associam seu nome com a Banda Beijo?

Gilmelândia– Demais! Dizem: “Olha Gil da Banda Beijo”

Cjmartim– Muitos programas de reality show musicais, oferecem uma boa base, uma atrativa exposição para o ganhador, mais tenho leve impressão que depois é cada um por si. Um trabalho de pelo menos um ano ou mais, não seria interessante das emissoras junto com gravadoras com esses artistas para que o público não tenha impressão que torceu a toa porque desaparecem da mídia?

Gilmelândia– Hoje as coisas estão rápidas, mudam em um segundo. Com certeza esses artistas seguem muito melhor do estavam antes. Mas esse mundo da música está assim. Instantâneo!

Cjmartim– Qual música que faz parte do seu passado, presente e quem sabe vai fazer também no futuro?

Gilmelândia– Bate Lata. Samba reggae pra sempre.

Cjmartim Se o baiano tem o “diabo no quadril”, qual foi o público de outro estado brasileiro ou em outros países que não presenciou esse “diabo no corpo” aparecer?

Gilmelândia– Com a nossa música não tem quem fique parado! O universo dança, até os ETs. (risos).

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