“Acredito que todo o trabalho musical tenha que ter relevância artística”

Em um momento de caos intenso no país, nada melhor, do que parar um pouco, respirar fundo e sentir todos os prazeres que a música pode proporcionar, afinal de contas, a música tem o poder de lavar a nossa alma e até propor soluções de vida. Quem sabe? E com Indie Rock isso é possível? Sim, é possível.

Nosso entrevistado, é o músico que anda de mãos dadas com a bossa nova (tão imortalizada com o mestre Tom Jobim) e com o indie rock (o chamado “rock independente”), mas é tolice limita-lo apenas por isso, é um indivíduo que “bebe” de várias influências musicais, sem armadura. Ale Vanzella, músico, misturou a bossa nova com o indie rock e o resultado saiu espetacular aos ouvidos de quem sabe apreciar uma boa música. Vamos nos permitir conhecer o novo, vamos nos permitir abraçar um artista nosso, que leva a música brasileira e a recicla como ninguém, vamos agradecer ao Ale Vanzella, por existir, e levar o que o Brasil exportou de melhor: a bossa nova e o talento de nossos artistas.

Ale Vanzella - 2

Ale Vanzella. Talento, disciplina e criatividade. Foto: Reprodução

 

Cj Martim: Conte como começou seu interesse pela música e se teve o apoio de familiares e amigos nessa decisão.

 Ale Vanzella: Eu iniciei tocando bateria quanto tinha 13 anos, minha irmã nessa época já era cantora e me apoiou a aprender um instrumento. Logo depois conheci amigos que já tocavam outros instrumentos e começamos a nos reunir, assim formamos minha primeira banda, a Foolish, de essência Grunge tocava além de músicas autorias covers de Nirvana à Sepultura.

Cj Martim: Explica para o público leigo o que seria um Indie Rock e quais influências ele exerce em sua vida.

Ale Vanzella: Indie Rock inicialmente era o rock independente, que posteriormente quando chamou a atenção do mainstream deixou de ser tão independente e é melhor definido como rock alternativo. É uma vertente do rock que preza pela liberdade de composição e gravação, sem tantas regras ou definições estéticas pré-definidas pelo senso comum. Iniciou nos anos 80 com bandas como Pixies, passando por os anos 90 com Nirvana, 2000 com Strokes e, atualmente, com bandas como Aracade Fire, Interpol e The Killers.

Cj Martim: O Roberto Menescal, um verdadeiro ícone da bossa nova, no primeiro  momento, não exitou ou achou estranho esse  cruzamento da bossa nova com o indie? Qual foi o diferencial em seu trabalho que fez artistas da bossa nova aprovarem essa mistura?

Ale VanzellaAntes de lançar meu primeiro álbum eu tive um certo receio de como os puristas da Bossa Nova iriam encarar meu trabalho, porém, para minha feliz surpresa a recepção foi muito boa. Roberto Menescal fez participação no meu primeiro álbum “INDIE BOSSA” (Albatroz Music, 2012) e também no segundo “INDIE BOSSA II (Sony Music / Movin’ Up Records, 2015)”, demonstrando que a Bossa está aberta para novidades e novos artistas. Acredito que essa boa aceitação vem pelo respeito à Bossa clássica, apesar de eu incluir novos elementos e sonoridades nos meus discos, o cuidado harmônico, Bahia tem nomes fantásticos na música, dentre os que me influenciaram estão principalmente João Gilberto e Caetano Veloso, porém seria pretensão falar em dividir palco com pessoas tão importantes na música mundial, me contento em assisti-los.ico da Bossa Nova prevalece, assim como a batida do violão, a voz sussurrada, dentre outros elementos.

Cj Martim: Algum artista baiano que você pretende dividir o palco? Quem são seus fãs musicalmente falando?

Ale VanzellaA Bahia tem nomes fantásticos na música, dentre os que me influenciaram estão principalmente João Gilberto e Caetano Veloso, porém seria pretensão falar em dividir palco com pessoas tão importantes na música mundial, me contento em assisti-los.

Cj Martim: O reconhecimento pelo trabalho não causa nenhuma mexida com o ego? Alguns artistas deixam o ego tomarem proporções gigantescas, que acabam sucumbindo seu trabalho. Qual o tamanho do seu ego?

Ale Vanzella: Dentre os diversos artistas de renome que tive contato, todos foram extremamente simples e tranquilos comigo e com as pessoas que trabalham em seu entorno. Acredito na simplicidade.

CAPA INDIE BOSSA II - OFICIAL

Capa do recente álbum de Ale Vanzella. Foto: Reprodução

Cj Martim : O que costuma fazer quando está com um tempo livre? 

Ale Vanzella: Costumo compor, pesquisar música, ver filmes, ler sobre música e aproveitar família e amigos. Sempre que possível gosto muito de viajar.

Cj Martim: O álbum Indie Bossa Nova, lançado em 2012, teve músicas em português, inglês e japonês. Como mantém certa ousadia no trabalho com suavidade que fica perceptível nos seus álbuns?

Ale VanzellaEu acredito que todo o trabalho musical tenha que ter relevância artística, esse é o norte conceitual que busco, por isso tento ousar em alguns elementos. Tendo isso, gosto de fazer as músicas soarem do meu jeito, sendo Bossa, mas com um sotaque Indie, por isso mesmo que as músicas dos álbuns tenham dois ou mais idiomas elas parecem parte de um todo. 

Cj Martim: Já tinha vindo para Salvador antes? Aprovou o acarajé? Pegou influências para seu trabalho no Pelourinho? Michael Jackson, quando veio aqui, ficou fascinado pelo samba reggae.

Ale Vanzella: Eu já conhecia Salvador, tenho grandes amigos na Bahia. Provei sim, apesar de meu paladar ser bem restrito e dificilmente experimentar novas comidas, eu gostei. Em minha outra estada estive no Pelourinho, culturalmente é muito interessante e sempre deixa algo marcado. Lembro-me da passagem de Michael Jackson, inclusive com Olodum, é muito bom ver a cultura de diferentes lugares do Brasil ser exportada e respeitada no exterior.

Cj Martim: E por falar de samba reggae, que tal,  o desafio de juntar bossa nova, indie rock e o samba reggae do Olodum em um trabalho futuro?

Ale Vanzella: Realmente é um desafio, porém nada é impossível, principalmente na música. Quem sabe um dia consiga colocar tambores e sons diferentes na Indie Bossa… Anotei aqui.

Cj Martim: Deixe uma mensagem para seus fãs soteropolitanos, não só eles, como para todo os seus admiradores aqui no Brasil e Exterior.

Ale Vanzella: Meu muito obrigado à Bahia, à Salvador, fui muito bem recebido e adorei o público. Espero voltar logo e sempre, muitíssimo obrigado mesmo. Até a próxima!

 

 

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