“Minha arte perde ‘oxigênio’quando rotulada”

Fernanda Vasconcellos, atriz, atualmente pode ser vista na peça “Enfim, nós”, em turnê pelo Brasil com o ator Cássio Reis,  em breve vai estrear na próxima novela das sete, “Haja Coração”, remake da novela “Sassaricando”.

Em entrevista exclusiva ao Cj Martim, a atriz relembra a sua participação na novela “Sangue Bom”, onde interpretava a jovem Malu, comenta da peça que encenou ano passado, “Foi Você Quem Pediu Pra Eu Contar Minha História”, e seu amor pela profissão de atriz.

Fernanda é daquelas atrizes que o país abraçou e não pretende largar tão cedo. Privilegio nosso. Confira entrevista.

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Fernanda Vasconcellos. Talento, foco e sucesso. Foto: Reprodução

Cj Martim: Seria o teatro uma casa de proteção para o ator? Afinal de contas, não precisa necessariamente de convite para entrar no espaço, como a televisão, por exemplo.

Fernanda VasconcellosExatamente. Além disso, o teatro nos dá a possibilidade de desconstruir estereótipos e preconceitos.

Cj Martim: A peça “Foi Você Quem Pediu Para Eu Contar Minha História” (2015) foi um desafio na sua carreira? O que chamou atenção no texto desse espetáculo e o que ele  acrescentou nessa geração tão “superficial” de referências?

Fernanda Vasconcellos: A peça é mais um desafio e o que me chamou atenção foi o fato de o texto não ser politicamente correto, é engraçado e ao mesmo tempo cruel.

Cj Martim: A memorização no teatro costuma ser um processo árduo? A constante repetição do texto, não pode levar a um piloto automático, onde o ator  perde a noção das palavras que saem e até um pouco o contexto inserido?

Fernanda Vasconcellos: O meu grande desafio como atriz é exatamente esse, manter o frescor das cenas, torná-la viva a cada espetáculo, como se fosse sempre a primeira vez.

Cj Martim: O que sua arte respira e o que faz ela perder o oxigênio?

Fernanda Vasconcellos: Comunicar, ensinar, comover ou dar prazer, são nessas possibilidades que a minha arte respira. Mas perde o oxigênio quando rotulada.

Cj Martim: O acúmulo de papeis ao longo da carreira, não pode fazer com que uma atriz perca sua identidade? Não se reconheça mais no espelho?

Fernanda Vasconcellos: Pelo contrário, acabo me conhecendo ainda mais. Mesmo que eu não queira.

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Fernanda Vasconcelos. Carisma que encantou o país na novela Sangue Bom. Foto: Reprodução

Cj Martim: Participar de “Malhação” é uma grande oportunidade na carreira de uma atriz. Naquele momento, teve percepção que tinha que fazer seu melhor, para conseguir impulsionar a carreira e conquistar outros papeis? Seria correto afirmar que um papel puxa o outro?

Fernanda Vasconcellos: Não tinha essa noção e, não acredito, que as coisas aconteçam em cadeia de maneira monocórdica. Tudo pode ser que sim e, ao mesmo tempo, que não.Mas acredito que as oportunidades executadas com competência, geram novas oportunidades, mesmo não sendo uma regra.

Cj Martim: Como lidar com a fama, que tem o prazer em colocar o artista no pedestal e o divertimento de derruba-lo a qualquer custo?

Fernanda Vasconcellos: As situações têm a proporção que você dá a elas. Meu foco é meu trabalho, minhas personagens e não um pedestal.

Cj Martim: Achei tão bacana sua personagem, Malu, em “Sangue Bom”. Ela não escondia um sentimento de inveja da irmã e tinha uma sensação que não era observada pelas pessoas. Como foi a construção da personagem? Que referências precisou utilizar para dar vida a Malu?

Fernanda Vasconcellos: Helena Varvaki, me ajudou no processo, e conversamos bastante sobre a inveja. Chegamos à conclusão, que é um sentimento que a todo momento escamoteamos, fingimos não ter nem para nós mesmos. E pensava nisso nas cenas, em não mostrar a inveja sufocante, que escapava através de reações e gestos.

Cj Martim: Você e o Tiago Rodrigues começaram juntos em “Malhação” e ambos andam desenvolvendo suas carreiras com estabilidade e bons papeis. Bacana essa sensação, que um colega de trabalho anda crescendo junto com você, em uma carreira tão instável como essa?

Fernanda Vasconcellos: São as coincidências boas da vida.

Cj Martim: Já chegou ao ápice da felicidade? Qual seu conceito de felicidade?

Fernanda Vasconcellos: Fazer sucesso sendo fiel aos meus ideais. Nada pode ser melhor do que isso.

 

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