“Parece que é errado ser virgem depois de certa idade”

Guilherme Prates, ator, parece não ter medo de desafios na carreira. Prova disso foi ter aceito o convite para interpretar um donzelo no filme “O Último Virgem”, que estreia em breve nos cinemas,  prometendo muita diversão e reflexões sobre o tema.

Guilherme escolheu se despir de vaidades desnecessárias na carreira, tem consciência do seu talento e que o caminho é longo e árduo. Foi, sim, protagonista de “Malhação”, algo que impulsionou seu trabalho, mas parece que se acomodar com rótulo de galã teen não é sua praia, afinal é maior que isso.

guilherme prates - foto Faya3

Guilherme Prates. Divulgação/ Foto: Faya/ Style: Rosane Amora/Beleza: Max Bitencourt/Produção: 2Do Productions

Cj Martim:Qual o diferencial do filme “O Último Virgem”, em relação a tantos outros filmes com a mesma temática, que já fizeram sucesso no cinema?

Guilherme Prates: O filme tem varias referencias a filmes de sucesso, desde filmes da década de 80 do John Hughes como “Clube dos cinco”, “Mulher nota 1000”, “Curtindo a vida Adoidado”, também “Porky’s” do Bob Clark, até “American Pie” que já é bem do finalzinho dos anos 90 e anos 2000. Mas acho, que conseguimos com tudo isso fazer um filme único e brasileiro. Mesmo com referências de filmes americanos de outras épocas, acho que o jovem brasileiro do ano de 2016 vai se identificar. É um filme muito engraçado e feito por muita gente boa.

Cj Martim: Por que a virgindade masculina ainda é tão ridicularizada na sociedade e se existe mesmo a necessidade de uma pessoa virgem alardear por aí esse fato, sabendo do preconceito.

Guilherme Prates: Todo preconceito deve ser enfrentado. Calar não é uma boa opção. A virgindade ainda é um tabu e é muito importante, principalmente para os jovens, se falar sobre isso. A virgindade masculina, principalmente, é atrelada a uma pressa, que conforme o tempo passa se transforma em pressão. Parece que é errado ser virgem depois de certa idade e muitos meninos acabam transando sem nem ao menos saber o que estão fazendo, simplesmente para se livrar desse rótulo. 

Temos que debater o assunto cada vez mais se livrando de rótulos e preconceitos, o sexo é algo natural não deve ter pressa para acontecer. Acho que uma das mensagens que o filme consegue passar é que não tem nada demais ser virgem e querer ter seu próprio tempo pra perder a virgindade.

Cj Martim: Tem um filme chamado “O Virgem de 40 anos”, que mostra o dilema de um homem mais velho em perder sua virgindade, e o filme onde você atua mostra esse dilema com um adolescente. É difícil para sociedade aceitar que tanto um homem mais velho ou um adolescente virgem simplesmente pode ter optado por ser assexuado?

Guilherme Prates: O mundo é extremamente machista ainda. Essa é uma realidade que deve mudar, mas toda mudança leva tempo. E o machismo afeta não só as mulheres. Esse estereótipo do homem machão, pegador, é um padrão extremamente machista e misógino, mas impera em nossa sociedade. Quando um homem foge desse padrão sofre preconceitos. O homem pode ser assexuado, virgem, gostar de rosa, usar saia, não gostar de futebol e nem por isso ele será menos homem que alguém. Até porque não existe ser mais ou menos homem, como não existe ser mais ou menos mulher.

Cj Martim: Qual foi seu último grito? O que desestabiliza seu emocional?

Guilherme Prates: Muitas coisas. Ultimamente, as discussões políticas andam me desestabilizando bastante. Essa polarização que surgiu na nossa política fez com que as discussões que deveriam ser sensatas pareçam brigas de times de futebol.

Cj Martim: Como foi a experiência em ser protagonista de Malhação? Qual elemento na composição do personagem aprendeu para colocar em prática em trabalhos futuros?

Guilherme Prates: A televisão traz uma rotina que é muito boa para o ator. Passar horas todos os dias, tendo que estar em cena permite se explorar bastante. Na “Malhação”, pude aprender muito com meus erros e tive parceiros incríveis que me ensinaram muito também. 

Cj Martim: A chamada “Egotrip” já tentou asfixiar você?

Guilherme Prates: Não. Eu venho do teatro, sempre trabalhei muito para chegar aonde cheguei, e na maior parte das vezes, não tive reconhecimento algum. O teatro é um exercício de resistência e, eu sou, determinado. Eu estou apenas começando e sei que tenho muito pela frente. A televisão às vezes ilude por ser um sucesso muito grande, em pouco tempo. 

Cj Martim: Sua arte já sofreu questionamentos? Já foi rotulada de forma equivocada?

Guilherme Prates: Arte é subjetiva, o questionamento faz parte, mas ele começa por mim mesmo. Estou sempre me questionando, e querendo fazer meu melhor sempre. Já os rótulos, eu prefiro ignorar.

 

 

 

 

 

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