“Não tenho como negar – o ego dos atores é excessivamente inflado”

Miguel Rômulo, o Quincas da novela “Êta Mundo Bom!”, nesta entrevista, esclarece sua opinião sobre o mundo da fama, sua gratidão pela atual parceria com o diretor Jorge Fernando e o autor Walcyr Carrasco, além das suas impressões em relação ao trabalho de composição de um personagem.

Um jovem ator com percepção de carreira e simplicidade na fala. Sensível e atento que é, a jornada vai ser tranquila, Miguel!

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Miguel Rômulo. Sensibilidade e percepção de carreira. Foto: Divulgação.

Cj Martim:  A fama é uma jiboia silenciosa?

Miguel Rômulo: “A fama é uma jiboia silenciosa”. Engraçado essa expressão (risos), nunca ouvir falar. Mas eu não acho não. A fama pode ser tanta coisa, pode ser um cachorrinho fofinho, indefeso e carinhoso. Depende da onde você está, depende do seu caráter, depende da criação que a sua família lhe deu, depende do seu ego. Não tenho como negar- o ego dos atores é um elo excessivamente inflado, diariamente, principalmente de alguns atores muito famosos, atrizes muito famosas. É, sim, uma inflação de ego. O ego dos atores é muito inflado, mas, eu acho, que isso se deve ao caráter de cada um, então, pelo menos a minha fama não é uma jiboia silenciosa, talvez um leão, mas não uma jiboia.

Cj Martim: Qual foi seu último grito? O que desestabiliza seu emocional?

Miguel Rômulo: Eu não gosto de preconceito, odeio preconceito, pré- conceito, principalmente, o prejulgamento das pessoas, sem você conhece-las, eu acho, que isso é o principal e um dos mais fortes. Na novela, a gente aborda muito esse assunto da injustiça, indiferença, preconceito, julgamento, isso, para mim, é a pior coisa. No país onde a gente está tentando mudar, tentando transformar em um país de aceitação, no país de tolerância, no país da união, eu acho, que o preconceito existe muito no Brasil.

Cj Martim: O que é necessário e desnecessário na composição de um personagem?

Miguel Rômulo: Dependo do personagem, do que o personagem pede, eu acho, que é a mesma coisa a respeito das novelas. Tudo é necessário, tudo. Tanto para compor um personagem ou para não compor um personagem. Eu acho que o ator ele tem que viver o personagem, viver a essência do personagem, quem ele é, da onde ele veio, o subtexto do personagem, pensar como o personagem, entrar na gravação com o personagem, dormir com o personagem, acordar com o personagem.

No meu trabalho, pelo menos é assim. Eu faço isso sempre. É viver a minha vida com a visão que meu personagem teria. Eu acho um ótimo exercício, principalmente, para os atores. Claro, não ignorando também as questões pessoais de cada um, mas o personagem só ganha vida quando você percebe que ele tem que ter uma vida, que você bota ele para viver. Abre os olhos e enxerga o personagem. Você olha no espelho e se pergunta: Nossa! Esse aqui é outra pessoa.

Cj Martim: O que não funciona de forma alguma em uma novela?

Miguel Rômulo: A novela é uma coisa muito mágica, muito lúdica. Eu acredito que qualquer coisa funciona em uma novela. A novela serve para você contar histórias para as pessoas se emocionarem,  se assustarem, se sentirem a vontade, poder também expressar opinião, debates. Eu acho que pode tudo em uma novela. O Brasil ainda não se encontra preparado para isso, porque existem muitos preconceitos, algo que tem que acabar. A novela passa o cotidiano, pode não ser o seu cotidiano, o meu cotidiano, mas é de alguém aqui no Brasil ou no planeta. Então, qualquer coisa pode ser colocada em uma novela.

Cj Martim: Você tem o objetivo de direcionar sua carreira mais para o teatro e cinema? É uma perspectiva sua?

Miguel Rômulo: Todo ator tem vontade, quer dizer, não todo ator. Têm alguns atores que só gostam de fazer teatro, só cinema, só TV, mas não é o meu caso. Gosto de levar a arte para as pessoas, independente da forma que tiver que ser. O meu trabalho de ator se dá não pelo veículo de imagem, mas pelo meu esforço, pela magia da história que a gente passa para o público, para plateia, o telespectador.  Eu acho que se eu puder fazer cinema, eu faço, se puder fazer teatro, eu faço, com orgulho, televisão também a mesma coisa.

Cj Martim: Você tem saudades do Felipe de Caras e Bocas? Alguns personagens nerds são vistos como chatos, mas  conseguiu imprimir no personagem uma graça, uma sensibilidade muito grande. Tem percepção disso?

Miguel Rômulo: O Felipe marcou muito minha carreira. Não só porque a novela foi sucesso, o personagem, em si, era um rapaz legal, que pôde me tirar da zona de conforto, me deixar mais a vontade para fazer comédia, total liberdade que o Jorge oferece e o Walcyr também. E a novela foi um sucesso por isso. Pela comédia, pelos personagens. Essa novela (Êta Mundo Bom!),  segue o mesmo caminho. É claro que é uma trama de época, Caras e Bocas não era, têm suas diferenças, mas foi uma novela muito boa, que eu só tenho a agradecer.

E o Felipe, eu tenho,  um lugarzinho guardado no meu coração para ele. Um personagem que marcou muito. O Quincas é um pouco igual ao Felipe, no sentido de humor, eles têm esse lado meio engraçado, garoto jovem, claro, um da fazenda outro da cidade. O Felipe era muito mais inocente que o Quincas, mas acho que eles têm um pouco da pureza, do carinho que  nutrem pela família.

Cj Martim: Como surgiu o convite para o Quincas, da novela “Êta Mundo Bom!”?

Miguel Rômulo: Eu fiquei muito feliz em receber o convite do Jorge Fernando e o Walcyr Carrasco para essa novela. Eu me sentir muito honrado porque já tinha trabalhado com eles antes, inclusive em Caras e Bocas. Para mim foi um presente, porque eu gosto muito de fazer comédia. Claro, que não só gosto de fazer comédia, mas eu gosto muito de fazer como ator, quando surge. É sempre bom trabalhar com um autor que entende tanto desse assunto como o, Walcyr Carrasco, e um diretor, que é referência no Brasil em termos de comédia, que é o Jorge Fernando.

Cj Martim: Quais rótulos não admite que se refiram a você?

Miguel Rômulo: Eu não gosto muito de colocar rótulos, de que me rotulem também. Gosto de ser quem eu sou, não gosto de receber rótulos e não me vejo como um ator único para tal papel, determinado tipo de novela. Eu gosto de ser um ator versátil, de ser um ator pronto para fazer o que puderem me propor. O que me propuserem, eu faço, com trabalho, dedicação. É difícil, para mim, falar sobre isso porque não pratico esse ato. Então, eu não gosto de rotular ninguém e nem de ser rotulado.

 

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4 comentários sobre ““Não tenho como negar – o ego dos atores é excessivamente inflado”

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