“As críticas são uma ‘maré’ densa e podem levar pessoas sem personalidade”

Gabriel Reif, o Jamaica da novela “Totalmente Demais”, nesta entrevista, revela os motivos do sucesso da trama, os inúmeros testes que realizou para ingressar na dramaturgia, além do atual momento político no país.

Personalidade, estilo e equilíbrio emocional para lidar com o sucesso. Com todas essas características em você, tudo flui, tudo acontece, não é mesmo Gabriel?

Gabriel Reif - fotos Simone Fransisco (95)

Gabriel Reif. Foto: Simone Francisco / Divulgação.

Cj MartimPor que alguns jovens atores não conseguem obter outros trabalhos depois de participarem do seriado ” Malhação”? Qual o seu diferencial como ator, que fez isso não acontecer com você? 

Gabriel ReifNossa carreira é bem cruel às vezes. Acontece por conta de perfil e não só talento. Eu me entrego muito a minha profissão e nunca desisti, passei por inúmeros testes até conseguir ter êxito, como atualmente. 

Cj MartimRevele cinco motivos que impulsionaram o público a se identificar de imediato com a novela “Totalmente Demais”.

Gabriel ReifNossa! Nomear cinco fica difícil, mas eu tenho certeza que o mais forte é a forma que os autores escrevem a trama, junto com a troca da direção, o produto é muito iluminado. É uma historia clichê, isso já sabemos, mas a forma que é contata e registrada com um ar de contos de fadas e com as pitadas leves de comédia acabam contagiando o público, sem restrições de idade. 

Cj MartimSeu personagem Jamaica é um militante político. Qual sua relação com a política e se acredita que, finalmente, os jovens saíram da letargia e resolveram se preocupar com os rumos que o país atravessa. 

Gabriel ReifMinha relação com a politica é mais ligada na minha música, faço rap, que é uma ferramenta de protesto, e com a escrita consigo expor minhas indignações. Acho que estamos em uma fase muito delicada sobre política no nosso país, não acredito que já saíram, mas acredito que estamos saindo e começando a sentir mais na pele as falcatruas governamentais. 

Cj MartimQual foi seu último grito? O que desestabiliza seu emocional? 

Gabriel Reif: Não me lembro.Eu sou uma pessoa que tento não me deixar abalar muito emocionalmente, principalmente, pela fase da vida que estou passando. Com esse trabalho, e alguns reconhecimentos, estou conseguindo ajudar minha família, e acho que isso me da força também para não me deixar ficar abalado, não desestabilizar tudo. 

Cj MartimQuem enxuga suas lágrimas quando as derrotas emocionais e físicas atravessam a porta e tentam fincar espaço? 

Gabriel Reif: (risos).Sou bem fechado… dos que choram sozinhos e dos melancólicos quando se encontram em momentos de “solidão” (risos).Não consigo transferir problemas para ninguém ao redor, tenho esse defeito. Mas quando a coisa aperta mesmo 
e,eu consigo falar, é minha mãe que me acode. 

Cj MartimMantém também um visual moderno na vida pessoal? As roupas que veste e acessórios que usa, definem sua personalidade? 

Gabriel ReifGosto de me sentir bem quando saio, gosto de usar cordões e anéis… Normalmente, eu uso acessórios que ganho de presente de amigos ou familiares, há uns anos que isso anda acontecendo. As roupas sempre condizem com um pouquinho da nossa personalidade né ? Isso não tem como negar. Mas também não me rotula, gosto de me vestir de uma forma que, eu,  esteja me sentindo bem comigo mesmo. 

Gabriel Reif - fotos Simone Fransisco (94)

Gabriel Reif. Foto: Simone Francisco/Divulgação.

Cj MartimO que acha necessário e desnecessário na composição de um personagem? 

Gabriel ReifA entrega e o mergulho no mundo do personagem é a coisa mais necessária para nós atores. Tentarmos entender o mundo que essa pessoa sempre viveu e vive, nos acostumarmos com coisas que nunca vimos, sentimos ou tivemos para conseguir   transmitir para o telespectador a máxima realidade daquele personagem. Desnecessário, eu, não sei dizer, acho que a partir do momento que começa a construção da personagem, tudo que é pensado para aquilo é bem vindo para extrair e ir enxugando. 

Cj Martim A fama é uma jiboia silenciosa? Aos poucos envolve o indivíduo e vai esmagando seus sonhos, essência e foco?  

Gabriel Reif: Tenho uma frase em uma das minhas escritas que diz: “Acham que a popularidade traz amizades, porém, a solidão maior se encontra por ali”. Acho que isso já diz um pouco sobre o que passamos com relação a jiboia silenciosa (risos). Mas em relação a perder seus sonhos e essência vai de cada um. Se a pessoa não tiver personalidade, ela vai ser levada por essa maré forte e densa que são as críticas, mas, se tiver um pouquinho de personalidade e pulso não se deixa levar. Nossa essência é construída desde o nascimento, acho difícil se apagar por conta do trabalho. Já o foco, sim, se bobear acaba relaxando ou desestabilizando, pode ser que fique embaçado e depois para retomá-lo só vai depender da pessoa mesmo. 

 

 

 

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