“Não ter trabalho não quer dizer que você ‘morreu’ como ator”

A novela Os Dez Mandamentos”- Nova Temporada chegou ao fim. Alguns personagens marcaram, como o Nadabe, interpretado por  Marco Antonio Gimenez, em uma trama bíblica, que despertou curiosidade, quebrou paradigmas e estabeleceu um diferencial nas tramas da Record. Nesta entrevista, o ator revela que a história bíblica nunca foi evangélica, relembra seu desempenho no seriado Malhação”, na Globo, além de analisar a fama que persegue os artistas.

O amadurecimento, a fala pausada e a serenidade encontraram em Marco, um porto seguro. Como telespectadores, torcemos que o melhor aconteça na carreira desse ator sensato, disciplinado e sensível, que a teledramaturgia abraçou.

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Marco Antonio Gimenez. Foto: Daniel Castro/Divulgação.

Cj Martim: A morte é inevitável, mas quando verdadeiramente um artista morre? Quando deixa de se inovar artisticamente ou quando falta convites para trabalhos?

Marco: O artista morre quando, de fato, ele não tem mais prazer ou não pode mais exercer à profissão dele, a sua arte. Não ter trabalho, não quer dizer que você “morreu” como ator.

Cj Martim: O acúmulo de falas para decorar em uma novela, não assusta você? Qual mecanismo que utiliza para manter à memória ao seu favor?

Marco: Não me assusta não! Quanto mais fala, melhor! (risos). Tudo é prática, é você ler bastante o texto, entender do que se trata, o que o autor busca por trás das palavras, saber a intenção, de fato, da personagem. Acho que isso ajuda a decorar, obter a compreensão do texto.

Cj Martim: Como surgiu o convite para interpretar o Nadabe, em “Os Dez Mandamentos”? Penso em algum momento, o fato da novela abordar assuntos religiosos, poderia causar polêmicas ou preconceitos?

Marco: O convite surgiu através de teste. Já um tempo, a Record me chamava para fazer testes na casa, mas algumas vezes estava no teatro, e surgiu a possibilidade de fazer o teste para essa novela e acabei pegando o Nadabe, acetei, amei fazer esse personagem. Eu acho que o fato da novela ser bíblica, não interfere em nada, acho que até ajuda. A história é maravilhosa, rica de coisas e variações, aborda fé, amor, vitória, enfim, várias coisas. Não sofri preconceito nenhum.

Cj Martim:  A novela “Os Dez Mandamentos”teve sua segunda temporada. Não correu o risco de um esgarçamento na história? Uma fadiga dos telespectadores, com temas bíblicos?

Marco: A Record conseguiu atingir o público que gosta, que curte a novela. Um público fiel e não só de pessoas evangélicas, mas de indivíduos de outras religiões. A gente fala da fé judaica e não da fé crista. A história se passa antes de Cristo. A novela nunca foi evangélica, e sim uma novela judaica. Isso só engrandece, colabora para ter uma história rica de conhecimentos.

Cj Martim: Sofreu muitas críticas quando fez Malhação? Ficou satisfeito com os recursos oferecidos com o personagem, Urubu?

Marco: Não sofri crítica alguma, pelo contrário, recebi muitos elogios. Em termos de recursos, todos, não poderia ser diferente.

Cj Martim: A fama seria uma ilusão? Por que o público que oferece carinho para o artista, ignora quando não circula mais nos holofotes.

Marco: Não sei se a fama é uma ilusão. A fama, talvez, seja um estado perigoso. Eu prefiro sucesso do que a fama. Sucesso é a realização de um bom trabalho, a fama é a consequência disso. É natural quando o artista some, não ser mais lembrado. Isso não me deixa magoado, frustado com essa situação.

Cj Martim: Tenho a impressão que a sua carreira vem sendo construída tijolo por tijolo, preservando a vida pessoal e mantendo o foco. Correta essa análise?

Marco: Tijolinho por tijolinho, trabalho é trabalho, momento é momento, amadurecimento na vida pessoal, obter bagagem de vida, experiências.

Cj Martim: Os brasileiros tem moral para se indignarem com a corrupção do governo, sendo que muitos praticam a corrupção, no cotidiano, o chamado “jeitinho brasileiro”?

Marco: Não podemos generalizar o povo todo, né? Eu acho que o problema do Brasil é educação. O jeitinho brasileiro faz com que a gente se desrespeite e seja mal educado, mas acho que nós temos o direito de cobrar dos políticos, tudo que estar acontecendo. O problema é educação e o respeito.

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