Deborah Secco: “Eu sempre consegui, com educação, fazer com que as pessoas me ouvissem”

Um dos principais assuntos discutidos nesta entrevista com a atriz Deborah Secco, a Tânia de ‘Malhação- Pro Dia Nascer Feliz’, foi outro grande personagem que marcou a carreira dela: a Íris, a vilã debochada da novela ‘Laços de Família’, que esta semana chega ao fim em sua reprise, no canal fechado VIVA.

A menina sapeca, a dona da sensualidade, a moça que chora bem no vídeo. Ela já irritou, em cena, os telespectadores com todo o cinismo e deboche, mas também já divertiu à beça. Mais e mais Deborah Secco com toda sua naturalidade de ser, independe de flashes; é de coração, por isso, consegue alcançar tanta gente com seus personagens e fincar lembranças em nossa memória.

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Deborah Secco. Foto/ Divulgação.

Cj MartimLembra como surgiu o convite para participar de ‘Laços de Família’?

Deborah Secco: Eu fiz ‘Suave Veneno’ com o Ricardo Waddington. Quando estávamos na última semana de gravações, ele me disse que tinha um papel pra mim numa próxima novela que ele faria, do Manoel Carlos. E aí veio o convite para fazer a Íris.

Cj MartimAs cenas de  brigas com a Carolina Dieckmann, na trama, se tornaram antológicas. O desgaste é mais físico ou emocional, em cenas como essa?

Deborah SeccoNão tinha desgaste nenhum. Era pura alegria e felicidade. Quando você faz um personagem muito redondo, muito bem construído, ele não te desgasta em nada.

Cj MartimO cinismo, o deboche e até uma certa agressividade, foram marcas registradas da personagem. Tudo isso era um mecanismo de defesa da Íris para chamar atenção dos outros, porque insistiam em não levar a sério o que ela pensava? Deborah, você já teve períodos em sua vida que não foi levada a sério?

Deborah Secco: Muitos. Mas em nenhum desses momentos, eu tive as atitudes da Íris. Eu sempre consegui, com educação, fazer com que as pessoas me ouvissem. Eu acho que a Íris sofria pela falta de amor. Ela não tinha pai nem mãe, aí tinha a Helena que era irmã, o Pedro, que era primo. Todo mundo aceitava a Iris, mas ninguém amava ela, de fato. Ela era “aturável”, não era querida. 

Cj MartimQual cena da novela que fecha os olhos e guarda com emoção?

Deborah Secco: Todas! (risos). ‘Laços de Família’ tem tantas! Mas a cena da morte da mãe da Íris, a Ingrid (Lília Cabral), eu lembro como se fosse hoje.

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Deborah Secco como Íris. Foto/Reprodução.

Cj MartimA sua personagem chamava a Camila (Carolina Dieckmann) de “judas”. Os “judas”que aparecem, muitas vezes, em nossa vida pessoal ou profissional, independe de nossa vontade? Como se cuidar dessas interferências externas ou ocultas?

Deborah SeccoÉ difícil, não tem uma regra. Mas acho que a gente tem que tentar perceber quem nos quer bem, verdadeiramente, e quem não nos quer tão bem assim  e tentar manter essas pessoas distantes.

Cj MartimFugindo um pouco da novela, tive o prazer de ver sua peça, em Salvador, “Mais uma vez Amor” e não tem como esquece-la porque junta humor, com reflexões densas da vida moderna. Acredita mesmo que a vida sempre promove esses reencontros amorosos, mesmo com fama que tem de tantos desencontros?

Deborah Secco: Acho que às vezes a vida não promove os encontros. Às vezes a gente tem que ir buscar por eles. Acho que a Lia e o Rodrigo eram personagens que se buscavam, mesmo tendo dito que não, que eles não se queriam, eles viviam para reencontrar um com outro. Acho que a gente tem que determinar na nossa vida o que a gente quer, que a vida vai dar pra gente exatamente o que a gente busca.

Cj MartimO que acho bacana do seu trabalho é que o drama, a comédia, o romantismo, a vilania, andam de mãos dadas na maioria das composições dos seus personagens, de forma muito harmônica, organizada. Afinal de contas, todos somos tudo isso mesmo. Como consegue não ser tão maniqueísta na concepção dos seus personagens?

Deborah Secco: Eu tento fazer deles pessoas reais. E pessoas reais são isso mesmo, um pouco de tudo, uma mistura. Ninguém é 100% bom, ou 100% ruim, ninguém é 100% feliz, ou 100% triste. A gente é uma mistura de sentimentos, de emoções. E eu tento trazer essa equalização real para todos os meus personagens. 

Cj Martim: O que sua arte respira, o que faz perder o oxigênio e quais momentos acredita que ela precisa ser desconstruída, para trazer novos recursos em sua carreira?

Deborah SeccoEu não sou uma pessoa que crio fórmulas não nem copio fórmulas. Eu faço, eu sinto e faço. Então, acho que esse respiro não se faz necessário, porque eu estou sempre fazendo algo que vem do zero, que vem do nada. Então, sempre é algo novo, que não interfere com o que eu fiz antes nem vai interferir no que eu vou fazer depois.

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