Matteus: “Eu não vejo o termo ‘ex-the voice’ como pejorativo. Tenho muito orgulho”

Em um rio raso de artistas comuns, Matteus surge com algo que deveria ser primordial para qualquer artista: diferencial na voz! Nesta entrevista, ao Cj Martim, com exclusividade, ele aborda assuntos como: fama, experiência no ‘The Voice Brasil’, projetos novos, alegrias e tristezas.

Ele não tem pressa, realiza seu trabalho com humildade, sem subserviência, e mostra que tem talento, carisma e foco. E caminhar assim não é bom, Matteus? Já deu provas que sim.

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Matteus: foco, carisma e talento. Foto: Marcelo Auge.

Cj Martim: Tenho a impressão que a imprensa utiliza o termo “ex-cantor do the voice” de forma pejorativa. Existe necessidade disso, afinal, apesar de ter participado do programa, antes já era um cantor, já tinha uma história, que não pode ser resumida ao The Voice. Concorda?

Matteus: Acho que, inevitavelmente, as pessoas sempre buscam o trabalho mais recente ou mais relevante da carreira da pessoa para colocar em evidência, eu não vejo o termo “ex the voice” como pejorativo, pelo contrário, tenho muito orgulho. Quando criança já passei por outros programas que as pessoas as vezes até lembram, e não tenho problemas ou preconceito com meu passado, gosto muito de contar minha história e tenho muito orgulho de ter passado pelo The Voice Brasil. Tive contato com profissionais incríveis, aprendi muito; foram três meses no programa que refletiram, em mim, como um aprendizado de cinco anos, então, por mais que as pessoas falem que é um programa de calouro, eu não vejo dessa forma. Me sinto um vitorioso por ter passado por tantas etapas, ter conquistado o público que me levou até a final, foi uma experiência que me acrescentou muito. Se eu tiver 50 anos de carreira e as pessoas continuarem se referindo a mim como “ex the voice”, continuarei me orgulhando, essa é a minha história.

Cj Martim: A morte do cantor Renan Ribeiro (o artista também participou do The Voice ano passado) foi terrível. Só percebemos a fragilidade da vida quando amigos ou pessoas próximas partem? Como lida com a morte e se acredita que precisamos nos alimentar de ilusões para dar sentido à vida, porque não suportaríamos saber que ela não tem sentido algum?

Matteus: Todos nós do The Voice ficamos extremamente abalados com a notícia da morte do Renan, era um cara muito querido, uma pessoa que animava os corredores do Projac. Todos temos um carinho enorme por ele e por toda herança que deixou, risadas e momentos bons, junto de um talento e uma voz excepcionais, com certeza a gente acaba passando por um momento reflexivo e ficando pensativo com tudo isso, mas acho que no fundo precisamos viver o presente, saber que temos uma família, amigos e agradecer. Ultimamente na minha vida tenho parado um pouco de pedir e comecei somente a agradecer a tudo que tenho e a todas as oportunidades da vida, e funciona, é a chamada Magia da Gratidão. Dessa noticia ruim criei um apoio para eu viver o agora e me entregar de corpo e alma em tudo que estou fazendo.

Cj Martim: Quais os projetos para o segundo semestre de 2016? Essas novidades, tem contribuição direta de fãs ou seguiu sua intuição particular?

Matteus Lancei um novo EP ‘Matteus Na Casa Do Lago’ com músicas novas e uma regravação. É claro que como tudo que faço, isso também tem ligação com os meus fãs, gosto de trabalhar muito próximo deles, ouvir o que querem, afinal, canto e faço todo o meu trabalho para o público. Ainda mais hoje em dia, com todas essas redes sociais que sou super conectado de forma que facilite meu contato com os fãs e esse EP foi uma coisa muito pedida. Eu participei diretamente fazendo cada etapa de cada trabalho desse segundo semestre para que tivesse realmente o meu dedo, a minha cara, a galera vai curtir muito.

Cj Martim: É obrigatório um artista abraçar algum rótulo musical, porque sem rótulos, pode ser acusado de falta de personalidade musical?

Matteus: Acredito que quando o artista chega no mercado, naturalmente as pessoas não o conhecem, consequentemente, ele precisa abraçar algum ritmo, algum estilo, para ter sua identidade própria. Com o tempo nada impede que possamos mostrar outras qualidades, muitas vezes cantamos muito bem o sertanejo por causa de toda uma história junto do ritmo, mas gostamos de cantar mpb, pop ou até mesmo mesclar diversos tipos de ritmos. O bacana da arte é toda a liberdade que ela nos proporciona. A arte é livre, o importante é fazer o que sai do nosso coração, com toda nossa essência natural para não sair uma coisa falsa.

Cj Martim: Tive oportunidade de conversar com você rapidamente, logo no início do carnaval, em um shopping, aqui de Salvador. Tava entusiasmado em dividir o palco com a cantora Claudia Leitte, no Carnaval. Quais pontos positivos e negativos que percebeu na festa?

Matteus: Sempre ouvi falar que o carnaval de Salvador era a melhor festa que existia e eu queria estar lá ao vivo para poder me provar isso. Realmente presenciei uma festa que não tem pontos negativos, um astral incrível. Sou muito fã da Ivete Sangalo, então, para mim foi demais. Fiquei arrepiado do começo ao fim, foi a realização de um sonho.

Todos falavam e eu não tinha dimensão do que era toda essa energia. Estar lá, ter recebido esse convite da Contigo, tudo foi indescritível. Fiz questão de ir em um dia em cima do trio da Claudia Leitte, precisava sentir a energia de perto e pude sentir. Recomendo a todos! É uma festa que dá orgulho de ser brasileiro e orgulho de ver tantos brasileiros juntos prestigiando a cultura brasileira.

Cj Martim: Consegue imprimir elegância nas músicas que canta. Pensa em algum projeto de resgate de grandes músicas românticas dos anos 80 e 90, que ficaram na memória afetiva do público?

Matteus: Eu já participei de dois projetos homenageando a Jovem Guarda que foi uma grande referência musical dos anos 60 e estão na memória afetiva de todo o publico brasileiro e fiquei muito feliz e lisonjeado de poder participar de um projeto que eu ainda não era nascido, mas pude revirar o baú das músicas e discografias de grandes nomes como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa e tentar passar para o público um pedacinho de toda essa alegria, doçura e jovialidade que tinha a Jovem Guarda. Claro que sempre queremos fazer outros projetos; e talvez possam, sim, vir por aí mais para frente na minha carreira e será sempre um prazer enorme cantar essas músicas que estarão sempre na memória mais carinhosa do público e trazer esse sentimento do passado para o nosso presente, acho isso muito bacana.

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Matteus. Foto: Divulgação/Assessoria.

Cj Martim: Qual foi seu último grito? O que desestabiliza seu emocional?

Matteus: O que me desestabiliza são as críticas sem fundamento, as que não tem o intuito de me acrescentar algum tipo de aprendizado, não são construtivas e só tem a finalidade de machucar. Hoje todos somos conectados e muitas vezes as pessoas são anônimas e não se preocupam com o que o próximo pode sentir diante de uma crítica brutal. Por mais que a gente fale que não, essas “criticas” vindo de pessoas que não conhecem a nossa história, acabam mexendo um pouco com a gente, mas mesmo assim sempre tento responder com o máximo de bom humor possível para que não seja mantido um clima pesado.

Cj Martim: Se pudesse se desconstruir como indivíduo, o que poderia surgir? Um rapaz simples, assustado com os holofotes ou sua queda por falta de arte?

Matteus: Diria que sou um rapaz pé no chão. De forma alguma assustado com os holofotes, já tenho isso como costume em minha rotina, canto desde os 9 anos, subi profissionalmente em um palco com 12 e hoje tenho 25, já tenho isso como parte de mim. Sou realmente acostumado, mas também toda essa bagagem me trouxe um cara firme, focado, que sabe o que quer, e ao mesmo tempo mantém algumas coisas daquele sonho de menino de ser cantor e ver o estádio do Maracanã lotado de gente cantando sua música.

Cj Martim: Já ficou em quarto de hotel, algumas vezes, acompanhado de tristezas, dúvidas e medos? Apesar do carinho do público, quem dilui seus momentos ruins?

Matteus: Todo cantor e artista também é feito e carne e osso, temos nossas fragilidades e momentos ruins, cabe a nós subir no palco e encarnar um personagem para fazer com que nossa vida pessoal não reflita na troca de energia com o público e eu sempre consegui separar muito bem essas situações mantendo sempre a minha essência, sendo eu. Consigo driblar todos os sentimentos ruins ou alguma situação ruim momentânea que eu esteja passando que possa me abalar, tenho minha equipe comigo que está sempre disposta a me dar um abraço, uma palavra amiga quando preciso, somos uma família, além de profissionais tenho uma família, pessoas que amo e me sinto muito bem amparado  com todos os profissionais que estão ao meu lado, de forma que me facilite a esquecer os problemas e entrar no palco sempre com um sorriso no rosto como se fosse o último dia para poder sorrir, curtir e dançar com todo o meu público.

 

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Um comentário sobre “Matteus: “Eu não vejo o termo ‘ex-the voice’ como pejorativo. Tenho muito orgulho”

  1. Carol Navarro disse:

    Que entrevista linda!

    Tenho a honra de acompanhar a carreira do Matteus a 10 anos e ver o quanto ele cresceu profissionalmente,como artista é completo e como pessoa é um anjo, lindo por dentro e por fora,é uma pessoa maravilhosa com o melhor abraço desse mundo!

    Parabéns pela entrevista, perguntas inteligentes que fez nós fãs ficarmos ainda mais apaixonadas e quem não conhece ainda o trabalho do Matteus sem dúvidas ficou com vontade de conhecer esse grande artista!

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