Osmar Silveira: “Todo artista deve se permitir ter um lado emocional mais instável”

Muita gente se emocionou com a morte do guerreiro Temá (Osmar Silveira), na novela ‘A Terra Prometida’, na Record. Em entrevista exclusiva, o ator revela como construiu o personagem na trama, sua paixão por sentir na pele a vibe positiva e conflitante do cantor Cazuza nos palcos, além do que pensa sobre fama.

Vários atores tentam forçar um carisma diante do público, mas é inútil. Osmar Silveira é carismático tão naturalmente, tão pleno de si, que não precisa de muito esforço para o público abraçá-lo com seus personagens.

 

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Osmar Silveira. Foto: Divulgação.

Cj Martim: Foi livre de receios ao aceitar o convite para novela “A Terra Prometida”? Por que tramas com temática bíblica vêm fazendo tanto sucesso com o público?

Osmar Silveira: Eu não tive receio, na verdade eu fiquei muito feliz em fazer parte desse projeto, em poder contar essa história, confiei nas pessoas que me escolheram, que acreditaram em mim, e mergulhei de cabeça nesse universo bíblico. Eu acho que as tramas bíblicas estão fazendo tanto sucesso hoje porque, em um mundo onde as pessoas estão tão descrentes, qualquer mensagem positiva acaba gerando um fio de esperança, que além de encher os olhos com as grandes produções, cada dia mais surpreendentes, enchem também o coração.

Cj Martim: Quais dores emocionais e físicas para compor o Temá?

Osmar Silveira: Para compor o Temá, procurei criar uma memória emotiva para ele, fazê-lo ter a imagem de como foi crescer sem a figura materna e o quanto isso afetou na sua formação enquanto indivíduo. Criar a relação com o pai e irmão e entender o quanto eles representam para ele e construir, então esse conteúdo emocional para o personagem. E a dor física veio se incorporando a cada dia, primeiro as dores do manuseio de uma espada de aço, o montar a cavalo e, aos poucos, entendendo esse corpo e que, enquanto essas dores para mim, pessoa física, eram um maltrato, para o Temá eram dores calejadas e sua rotina diária. Juntei os dois, e ele surgiu. 

Cj Martim: Seu lado emocional é frágil? Mas e, em que momentos ele fica “seco”?

Osmar Silveira: Meu lado emocional… (Eita!) risos. Sim, tenho um lado emocional forte, mas não diria que frágil, acho que todo artista deve se permitir ter um lado emocional mais instável, afinal, contamos historias, “vivemos” outras vidas, sentimos outras dores, revivemos algumas. E esse lugar (penso eu) precisa estar apto a ser acessado a qualquer momento. Normalmente meu lado emocional fica “seco” quando preciso tratar de assuntos sobre a minha carreira ou alguma decisão pessoal importante, nessas horas ativo o lado racional e deixo a emoção recuada.

Cj Martim: Conseguiu viver intensamente a filosofia de vida exacerbada por Cazuza? Esse conceito de viver a vida regada a drogas, falar o que pensa, fazer o que quer, não é contra ao que outro poeta, Renato Russo, dizia em sua música, que “disciplina é liberdade”?

Osmar Silveira: Bom, nos palcos acredito que sim, tentei levar ao máximo de loucura, para que a plateia pudesse,minimamente, identificar o personagem, mesmo que num trejeito, numa frase da música, num acento de língua presa. Agora, na vida, eu certamente não devo ter feito nem a metade do que o Cazuza tenha feito e vivido. Acho que algumas pessoas às vezes confundem liberdade com libertinagem que é fazer mal uso da sua liberdade, então a filosofia de vida de um era diferente do pensamento do outro. O Cazuza tinha sua liberdade, mas era uma cara libertino, que abusava da liberdade que tinha… 

Cj Martim: A fama é uma serpente oculta?

Osmar Silveira: Sem dúvida, a fama traz muitas coisas boas; reconhecimento do seu trabalho, milhares de pessoas que gostam e acompanham e demonstram carinho por você, um melhor padrão de vida, a sensação de realização. Mas também traz fofocas, tira a privacidade, gera insegurança, engana, e se não souber administrar e domá-la , pode terminar sendo domado.

Cj Martim: Quais projetos profissionais para 2017?

Osmar Silveira: Pra 2017, tenho um filme que deve estrear em circuito de festivais primeiro, que se chama ‘Abismo’. Também existe uma negociação para uma segunda novela na casa (o ator já confirmou participação na novela ‘O rico e o Lázaro’; na record). E o restante, mais pra frente, se confirmar,contamos aqui pra você!

Cj Martim: Algum receio de enlouquecer? Não acredita que o ator vive uma linha tênue entre a loucura e a razão por essa “brincadeira” de viver outras vidas com personagens?

Osmar Silveira: Enlouquecer? Mais? Risos. A vida artística é uma loucura, é a perfeita definição de instável, como um passeio de montanha russa, que hora estamos no topo e logo depois no chão. Mas sendo assim, se louco sou, sou grato pela loucura, é ela que move e me alimenta neste sonho. E a dica que dou e que uso pra me manter sobre a loucura da vida é não querer ser mais do se é, e não se permitir ser menor do que se é. Seja você, vai na tua, confie em Deus que tudo dará certo!

 

 

 

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