Luan Vieira: “O câncer ainda tem significado de sentença de morte”

Luan Vieira faz um “mergulho” todos os dias para interpretar o jovem Caio, que possui câncer, e vive cercado de tormentos, esperanças e desafios, na novelaRock Story, trama das sete, na Globo.

Quando se olhar no espelho, Luan vai observar que ser ator é isso, se despir de vaidades, medos e redes de proteção. E vai sentir um orgulho enorme, pois jovem já percebeu como funciona essa mágica e encantadora profissão: ator!

[Entrevista exclusiva do Blog Cj Martim]

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Luan Vieira. Foto: Tatiana Farache

Cj MartimCâncer é uma doença terrível, muitos não gostam de verbalizar. A doença ainda é associada fortemente como uma sentença morte? Qual seu preparo psicológico para viver o Caio, que sofre com esse mal?

Luan VieiraDurante a preparação, eu, que nunca havia tido um contato mais direto com a doença, fui percebendo o quanto essa enfermidade, comum no nosso tempo, tem um significado de sentença de morte. Em todos os materiais que li é citado o choque que as pessoas têm ao receber a notícia da doença, e acordarem para o fato de que a vida é um fiapo. Porém, percebo em muitas pessoas que venceram a doença,aquilo que decidi chamar, a título de organização de pensamento, de paradoxo do câncer:perceber que a vida esta por um fio. E tomar as rédeas do tempo. Viver mais intensamente. Mais dedicado ao amor, esse sentimento que existe na base das coisas que nos dão prazer. Sinto Caio, meu personagem, nesse lugar. Sinto Caio vivendo esse paradoxo. E acho isso bonito.

Cj MartimA novela “Rock Story” debate muito sobre sucesso e fracasso profissional. Você, Luan, preparado para a montanha russa nessa profissão?

Luan VieiraReconheço essa montanha russa desde os meus 15 anos, quando comecei a trabalhar com o teatro. Acho que o trabalho com arte, no geral, tem disso. Não me incomoda. Eu construí meu aprendizado de carreira sabendo disso. E vivo adaptado a esse fato. Esse, de que hoje as vacas estão gordas, mas amanhã…(risos). É aí que reside a falta de glamour na carreira do ator, que ilusoriamente muitas pessoas acham que não falta. Em compensação a esse fato, tem tantos outros prazeres, que me fizeram poucas vezes, pensar em abandonar a carreira. Essa montanha russa é um fato, penso que é o ponto mais negativo da carreira. Mas, em partes, é ela que faz o artista estar sempre em movimento , caçando, destrinchando, abrindo caminho para o trabalho. Para o novo. Assim, do jeito que vejo Gui Santiago fazer.

Cj MartimExplica como funciona a companhia de teatro Cia Cortejo e qual seu diferencial em relação às outras que existem espalhadas no país?

Luan VieiraO maior diferencial da Cia Cortejo é o fato de ser uma companhia que se inicia no interior, fora do circuito comercial da capital, fato que nos trouxe muitas vantagens se nos compararmos a um grupo da capital. Como,por exemplo,tempo para ensaio, qualidade de vida. E aquele bom silêncio interno que nos ajuda a ouvir nossas questões, colaborando para o processo criativo. Hoje somos quatro integrantes fixos, quatro convidados. Circulamos por volta de cento e cinquenta cidades do Brasil e outros países. E tivemos que interromper essa vida no interior para investir nos nossos crescimentos profissionais. Viemos, em maioria, para o Rio de Janeiro. Mas a Cia Cortejo preserva muitas boas características da nossa origem interiorana. Nosso diferencial.

Cj MartimQual seu conceito de amizades e se não se assusta com os “novos amigos” que surgem, alguns, movidos pela sua visibilidade na TV. Como separar essas pessoas?

Luan VieiraO amor amigo é o amor mais próximo do incondicional e materno. Dou muita importância a esse sentimento porque acredito na força dessas relações e o quanto nos desenvolvemos a partir delas. Quanto à questão das amizades que vem depois da TV, eu não sei o que fazer. Não acho que eu deva diferenciar ou separar. A minha profissão também sou eu. Faz parte de mim. Obviamente eu conto com a minha sensibilidade pra sacar o que da relação é verdade e o que é vislumbre. E me relaciono me doando em harmonia com a verdade da relação. As coisas superficiais são facilmente removidas (aliás, alguns amigos de um grupo de teatro falaram isso) dessa forma, eu sigo o fluxo. Outra coisa que faço é acabar com qualquer visão de glamour que possa me distanciar de qualquer pessoa. De todo jeito, eu ainda não sinto as pessoas se aproximando por causa do meu trabalho. Ou porque ainda não acontece ou porque não estou com foco em identificar isso mesmo.

Cj Martim: Felicidade é ilusão, sorte ou um olhar de simplicidade com coisas comuns no cotidiano?

Luan VieiraFelicidade, pra mim, é um estado de satisfação. E por ser estado, às vezes está e às vezes não está. Como qualquer outro sentimento humano. Não penso ser sorte ou ilusão. E hoje eu me considero feliz, satisfeito. Mas entendo que amanhã poderei não estar. É essa inconstância que move a gente. Por isso, às vezes eu até desejo não estar satisfeito, pra poder continuar em movimento… (risos).

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