Jullie: ‘Não curto rotular a MPB. É algo tão amplo, tão maior do que qualquer definição’

A cantora, dubladora e atriz Jullie lançou seu CD autoral ‘Até o Sol’ e mostrou que não é presa, nem tem pretensão de ser, a rótulos musicais engessados e bonitinhos. Em entrevista exclusiva, ao Cj Martim, fica claro sua liberdade artística.

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Jullie. Foto: Marta Polaquini

A voz é um dom poderoso, pois consegue enxugar lágrimas, promover sorrisos e reflexões. Estamos atentos a você, Jullie, a mais nova representante desse dom poderoso!

Cj Martim: “Cantora que participou do The Voice.” Algum receio de ficar sempre rotulada pela participação no programa The Voice Brasil ou isso não incomoda?

Jullie: É claro que existe esta referência, porque é uma marca conhecidíssima, mas não me sinto rotulada pelo “The Voice Brasil”, até porque já havia feito tantas coisas antes da minha participação e tenho feito tantas coisas legais após o programa. A experiência foi ótima e foi um dos momentos importantes na minha jornada, que não se limita apenas ao reality.

Cj Martim: Você passeia por diferentes estilos musicais. Esse passeio, para muitos artistas, precisa ser limitado. Como mostrar ao público que você tem desejos por diferentes estilos musicais, sem parecer perda de identidade?

Jullie: Na verdade, não vejo como um desejo de passear por muitos estilos. Vejo como um crescimento, um amadurecimento, uma descoberta de identidade. Como me lancei no mercado muito jovem, obviamente o meu som mudaria com o passar do tempo, pois a gente vai se conhecendo melhor. Antes eu atendia a um público mais teen. Hoje, busco compor e fazer o som que eu gosto de ouvir, que toque o meu coração e me traga leveza.

Cj Martim: Você acaba de lançar o CD autoral ‘Até o Sol’. Qual discurso, que elementos novos fornecem para o público esse trabalho?

Jullie: O som do disco novo está muito mais orgânico. Fiz questão dos violinos e do acordeom, pois sou apaixonada. As músicas falam de amor, liberdade, fragilidade, no geral é um discurso positivo. Os arranjos trazem algumas referências celtas e algumas escalas orientais nos violinos, por outras vezes uma atmosfera tribal nos tambores, bem como uma citação ao violão espanhol e à guitarra havaiana, porém sem perder a brasilidade, com ritmos que em partes nos remetem ao interior do país. É um disco do mundo, a meu ver. E ainda tem lindas participações de pessoas que admiro muito. Bernardo Martins, meu grande amigo, parceiro de composição e produtor musical, fez um trabalho impecável.

Cj Martim: Defina: música popular brasileira, conhecida como MPB.

Jullie: Não curto rotular a música popular brasileira. É algo tão amplo, tão maior do que qualquer definição há tantos ritmos e estilos musicais que se englobam. Quem sou eu para dizer que a MPB é isso ou aquilo. Prefiro dizer que é o som feito aqui, por nós, artistas brasileiros.

Cj Martim: Conta um pouco da parceria com integrantes da banda OutroEu, também revelada por um reality.

Jullie: Conheci os meninos da OutroEu num sarau, um ano antes da participação deles no programa. Estava começando a compor as músicas do novo álbum e ao ouvir o som deles, quis muito que contribuíssem para esta nova fase, pois as composições eram lindas. “Ai de Mim” foi a primeira canção composta para o álbum “Até o Sol” e é uma parceria minha com o Mike e com o Bernardo Martins, produtor do disco. Dani Black faz uma belíssima participação nesta faixa.

Cj Martim: Artista que não se impõe no mercado musical acaba sendo ‘engolido’ pelo sistema?

Jullie: Nos dias de hoje não dependemos exclusivamente do mainstream, não dependemos apenas daquela música na rádio, ou na novela, para que nossa arte seja propagada. Claro que tudo isso é bacana, sim, e super positivo, mas não é só isso que define o sucesso de um artista. Há um mercado independente, há outras formas de divulgação, a internet está aí para quebrar esse sistema que é fechado pra caramba. Também é bem sucedido quem vive da sua arte dessa forma alternativa, independente. E eu to nessa, aprendendo, buscando e traçando meu caminho.

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