Gus Dantas: ‘Nunca me passou pela cabeça a ideia de viajar para curar alguma tristeza.’

Blogueiro, amante de viagens e preocupado com o meio ambiente. Seu nome? Gus Dantas, que concedeu uma entrevista exclusiva ao Cj Martim, explicando o objetivo do seu blog de viagens ‘GusDantaslife’ e todas as curiosidades que circulam nos bastidores dessas aventuras.

Gus Dantas é um homem apaixonado pelo mundo, logo tenta abraçá-lo com força, alegria e doses elevadas de contentamento.

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Gus Dantas. Foto/ Divulgação.

Cj Martim: Já ‘curou’ tristezas com uma boa viagem? É uma válvula de escape interessante para melhorar mazelas emocionais?

Gus Dantas: Nunca me passou pela cabeça a ideia de viajar para curar alguma tristeza. Minhas viagens são motivo de alegria e já começo a “viajar” mesmo quando estou em fase de planejamento de algum itinerário. Traço tudo na minha mente, enquanto absorvo tudo o que posso sobre o local a visitar, mas sempre com uma motivação positiva e com ar de desbravador. Minhas viagens são uma das minhas maiores alegrias nessa vida e, por isso, criei o blog ‘GusDantaslife’ para que pudesse dividir todas essas belezas que tenho a sorte de conhecer e experimentar mundo afora. Claro que se um dia a vida vier a trazer a alguma dor ou tristeza no meu caminho posso sim considerar fazer uma viagem, mas seria para os braços de pessoas queridas e que talvez estejam sofrendo pelo mesmo motivo que eu. Talvez, juntos, possamos curar um ao outro e fazer sarar mais rápido aquilo que nos aflige.

Cj Martim: O que seu blog ‘GusDantaslife’ tem como um diferencial em relação a blogs com a mesma temática?

Gus Dantas: E qual é mesmo essa “mesma temática” (rs)? Viagens, sair pelo mundo, desbravar e explorar? Acho difícil definir em somente uma categoria o meu blog, pois falo sobre a vida que levo no gusdantaslife. Tudo começou com a criação do meu Instagram, 2 anos atrás, onde observei que muita gente se interessava por aquilo que eu via, fazia e registrava no Ig @gusdantaslife. Nesta época, comecei a escrever uma coluna semanal online, o que fez crescer a vontade de ter um espaço próprio onde pudesse contar mais sobre aquilo que via e vivia. Viagens sempre fizeram parte da minha vida desde pequeno e até agora já foram 58 países onde tive a oportunidade de fincar meus pés. Cada blog é um universo pessoal, e no meu,  deixo minhas impressões sobre lugares bacanas, hotéis onde me hospedo, gente que conheço e alguns sentimentos que afloram quando observo o mundo.  Mas, se tiver que definir um diferencial para o blog, seria o da visão de um cara que leva a sério todo o seu “millennial” lifestyle, ou seja, fazendo parte de uma geração que está interessada em acumular menos coisas durante a vida e sim mais experiências. E, claro, sempre as compartilhando quando possível.

Cj Martim: Com a crise econômica, se torna mais difícil trocar experiências recentes de viagens com as pessoas? Viagens sempre é o primeiro item dispensado nessas situações?

Gus Dantas: Não sei se concordo com a ideia de que viagens são tão facilmente descartadas. É possível que muita gente tenha redimensionado a ideia de fazer viagens mais longas, ou para o exterior, com a situação econômica incerta dos tempos atuais. Mas acredito que a alegria de conhecer lugares novos, mesmo que seja um fim de semana em uma praia nas redondezas ou subindo alguma serra próxima da cidade onde se vive, as pessoas continuam viajando sim. E pode ser exatamente devido a crise que acho que, mais do que nunca, estamos cada vez mais trocando experiências sobre viagens. A conectividade existe exatamente para que haja menos chance de cometermos erros que nos levem a gastar desnecessariamente. Portanto, acho que a crise veio para nos deixar ainda mais conectados e engajados uns aos outros.

Cj Martim: Alguma viagem emocionante que fecha os olhos e se lembra dos detalhes, das mínimas coisas presenciadas e sentidas?

Gus Dantas: Pode parecer mentira, mas, lembro de pequenos detalhes desde a minha primeira viagem ao exterior quando tinha 14 anos e visitei a Flórida, nos EUA. Lembro de diálogos que tive, de erros de pronúncia que cometi pedindo um sanduíche, do gosto estranho de certos queijos americanos e daquele contato com um povo tão diferente do nosso (e que veio a ficar tão familiar durante os anos que vivi nos EUA cursando meus estudos em comunicação, desde o bacharelado até o doutorado). Já se passaram mais de duas décadas desde que fiz essa primeira viagem para fora do Brasil, e tenho tantos detalhes armazenados na mente que nem sei se caberiam todos em um único livro. Posso fechar os olhos neste exato instante e me transportar para o Chile, onde subi um pedaço da Cordilheira dos Andes no parque Nacional de El Morado e voltei com um olho todo ensanguentado devido a mudança brusca de altitude (o olho melhorou no dia seguinte). Lembro demais das águas mornas e transparentes das Ilhas Fiji, que abrigavam vida marinha sem igual, como estrelas do mar roxas, mas que de tão mornas, derreteram meu protetor solar e me fizeram ficar igualmente roxo ao fim do dia. Nunca me esquecerei dos pequenos pinguins que saiam do mar gelado da costa sul da Austrália para ir de encontro aos seus bebês escondidos na areia ao entardecer. A reunião dessas famílias foi e sempre será uma emoção que carrego comigo.

Cj Martim: Qual conselho você oferece para quem tem vontade de viajar, mas não sabe se planejar para realizar esse sonho?

Gus Dantas: Meu conselho mais sincero é: viaje! Eu passei um tempo da minha vida com muita vontade de viajar, mas não sabendo como realizar tais viagens por falta de companhia e achando que não conseguiria viajar sozinho. Chegou uma hora que tomei coragem e disse a mim mesmo: é agora ou nunca. Peguei um avião e fui a Bolívia e ao Peru. Passei apertos como falta de ar em Cusco devido ao mal de altitude, chamado “soroche”, e muitas vezes, me senti só, tendo que comer sem alguém ao lado. Mas, ao mesmo tempo, descobri um mundo novo, cheio de percepções sensoriais aguçadas onde eu era o único responsável pelo meu próprio bem estar e pelas minhas experiências. Foi uma lição e tanto e, hoje, não penso duas vezes em me mandar para algum lugar quando a vontade bate. E, com o mundo de informação que existe em apenas alguns cliques, planejar ficou muito mais simples. No passado, tive que importar muitos livros e guias porque não havia informação suficiente disponível. Hoje, basta ter um pouquinho de interesse e curiosidade que planejar e realizar uma viagem não é mais uma tarefa tão difícil.

Cj Martim: Como lidar com assaltos, doenças, problemas com cartão em viagens? Como lidar com adversidades no exterior?

Gus Dantas: Assaltos em viagens… Hum, acho muito mais perigoso ser assaltado quando não estou viajando. Sempre disse que acho o Brasil é um dos países mais inseguros e violentos que já visitei. Passear pelas nossas grandes capitais é sempre motivo de alarme e cuidados redobrados. Essa é a nossa grande infelicidade e meu maior motivo de tristeza em ser brasileiro e ter o Brasil como residência. Já tive problemas com infecções intestinais, fadiga, frio excessivo, insolação, falta de apetite e mais uma infinidade de outras doenças viajando. Tento sempre não me desesperar e acreditar que tudo é passageiro. Dá certo! E quanto a cartões, nunca levei apenas um. Lembro quando tive meu cartão principal bloqueado quando em uma viagem saquei dinheiro em Pequim em um dia, no outro em Munique e, logo depois, em Copenhague. Como tinha outro comigo, não houve problema. Adversidades, sejam elas em casa ou no exterior, sempre acontecerão. Manter a calma e acreditar que tudo vai se resolver de uma forma ou de outra é o grande passo para que tudo realmente se resolva. Acredito muito na lei da atração que traz coisa boa no futuro o quanto mais positivo pensarmos e trabalharmos para que nossos sonhos assim possam se realizar.

 

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