Davi Tápias: ‘Passar muito tempo nas redes sociais tem se tornado assustador’

Nome? Davi Tápias. Ator, indicado ao Prêmio Bibi Ferreira; cerimônia exclusiva do teatro musical do Brasil; que acontece hoje (18) em São Paulo, pela peça ‘Lembro Todo Dia de Você’. Sim, ele concorre na categoria ator revelação, logo seu talento aguçou curiosidades alheias.

Entrevista exclusiva, sincera e tranquila. Davi, um mar de sonhos, projetos e inquietações para você!

Davi Tápias (SDM)

Davi Tápias. Foto: Giovana Cirne.

Cj Martim: Um ator sem teatro “esfarela” mais rápido na profissão?

DaviEu acho que é no teatro que nasce o ator. Uma vida no teatro (fazendo, estudando, assistindo) dá ao ator munição para passear por várias outras plataformas como: TV, cinema, performance. É claro que todos estes espaços requerem ferramentas específicas, mas acho que o treino e a vivência que o teatro oferece são imprescindíveis para o trabalho do ator, seja ele onde for.

Cj MartimSer indicado ao Prêmio Bibi Ferreira é um sinal que o caminho percorrido é correto? Como não se acomodar com prêmios e afagos no ego?

DaviLidar com o ego é uma questão constante na nossa profissão. Apesar de todo o amparo e cuidado da equipe artística em cada trabalho, passar por um processo intenso é uma experiência muito individual. Você se dedica muito, “conversa” bastante com si próprio, lida com várias questões pessoais que, na hora, parecem não fazer sentido para quem está de fora. Exatamente por isso, ver que você conseguiu se comunicar com alguém depois que o trabalho estreia é tão prazeroso. A felicidade da indicação ao prêmio mora no mesmo lugar. Além de se tratar de uma premiação que sempre acompanhei e vi vários colegas que admiro participando, também é muito revigorante ter o seu trabalho e processo vistos com tanto carinho e reconhecimento. É um bom combustível para o trabalho e pra alma.

Cj MartimQuais camadas físicas e psicológicas enfrentadas para interpretar o Thiago na peça ‘Lembro Todo Dia de Você’?

DaviEste personagem foi realmente um divisor de águas na minha carreira e vida pessoal. Embarcar no universo físico e psicológico do Thiago me pôs frente a frente com a minha desinformação e, às vezes, despreparo para lidar com muitos assuntos da vida dele. A peça (felizmente) me fez buscar estas ferramentas. Isso além, claro, da parte natural de pesquisa, conversas com pessoas que convivem com HIV, reuniões, visitas a hospitais, centros de apoio, etc.
Em termos físicos, fui muito sortudo de contar com a incrível preparação de atores da Inês Aranha que – em boa consonância com a visão do diretor Zé Henrique de Paula – que me guiou pelos caminhos de experimentação com muito carinho e foco. Fomos achando juntos a “cara” da peça e os desenhos dos corpos dela. Foi também no Rafa Miranda, compositor do espetáculo ao lado da diretora Fernanda Maia, que fundamentei minha pesquisa, pegando dele gestuais e características físicas que eu achei que comporiam bem o Thiago, já que tanto do personagem foi inspirado na vida do Rafa.

Cj MartimNovelas é uma ambição ou indiferença?

DaviAinda não tive a oportunidade de conhecer este mundo, mas acompanho por tabela a vida dos meus amigos que trabalham ou já trabalharam, e acho que seria uma experiência nova e divertida. Por agora, tenho tido a sorte de trabalhar no teatro com assuntos e pessoas que me interessam, então, acho que uma coisa não exclui a outra. Se isso vier, vou abraçar com toda a curiosidade do mundo.

Cj MartimQual drama atual não tem mais paciência em ouvir ou ler?

DaviAcho que, recentemente, passar muito tempo nas redes sociais tem se tornado uma experiência cada vez mais assustadora. A polarização das opiniões impediu completamente o diálogo e mal estamos conseguindo trocar ideias de uma maneira objetiva e clara. Esta onda, por exemplo, de censura a exposições, pessoas chamando performances de “pedofilia” é algo que realmente me impede de argumentar, pois me sinto sem forças pra ter que defender algo tão básico, tão pertinente a nós como a subjetividade da arte, a importância de se ter contato com ela, a gravidade da censura, a seriedade que é lançar o termo “pedofilia”por aí, a hipocrisia dos políticos, que aproveitam deste movimento para doutrinar, etc. É de dar náuseas. 

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