Mú Carvalho: ‘Sinto falta de melodia nos novos compositores aqui no Brasil’

Não vou mentir. A primeira vez que tive conhecimento do grupo ‘A Cor do Som’, formada por: Armandinho, Dadi, Mú Carvalho, Gustavo Schoeter e Ary Dias, foi no Festival de Verão 2006, em Salvador, com apenas 18 anos de idade. Depois, para minha surpresa, descobri que algumas músicas do repertório deles já tinha escutado nas rádios e na voz de grandes cantoras, como Gal Costa. Domingo, 23, eu não vou ter mais desculpa para não conferir o show do grupo, que se apresenta na Concha Acústica, mas só para galera de Salvador. Nesta entrevista exclusiva; Mú Carvalho, um dos músicos da banda, foi bem claro em definir o que norteou o grupo durante esses anos.

A Cor do Som 3 por Daryan Dornelles

Grupo A Cor do Som. Foto/ Daryan Dornelles

CjMartim: Quais eram as ambições da banda no final da década de 70 e quais são as ambições atualmente?

Mú Carvalho: A nossa relação com a música sempre foi muito íntegra. Nesses 40 anos, a gente passou por muitos “Brasis”, os cenários mudaram muitas vezes, o mercado fonográfico, a economia, a internet… muita coisa mudando a cara como um camaleão e muitas novidades. Mas a música, a nossa relação com a música parece que sempre existiu da mesma forma. Eu amo o que faço, sou um compositor e me dedico muito, como pianista também. Nunca parei de estudar. Retomei os estudos de orquestração e arranjos com meu mestre, o maestro Vittor Santos, com a mesma felicidade de quando tinha 15 anos e dava meus primeiros passos, acho que é isso. Uma relação verdadeira e de amor a arte, a música.

CjMartim: O repertório, em geral, têm músicas que exaltam a vida, as relações humanas de forma livre e nada de letras melosas. Essa positividade surgiu de forma natural ou algo intencionado no repertório?

Mú Carvalho: Bacana a pergunta, mas aproveito para acrescentar um detalhe: a melodia. Para mim, música é fundamentalmente a melodia. E sinto falta disso nos novos compositores aqui no Brasil. A garotada se liga no groove, na levada, no arranjo, na sonoridade, mas não da muita importância a melodia. Acho que nisso, a gente sempre levou e leva muita riqueza para os ouvidos. Sempre fomos uma banda com uma sonoridade muito solar, a coisa da praia, Ipanema, e de colocar tudo que a gente ouvia e gostava como Santana, Hendrix, Ernesto Nazareth, a brasilidade do Armandinho com o frevo, o choro (e nessa eu também contribuindo com minha formação do piano da minha mãe), o rock progressivo, e bater no liquidificador e ainda conseguir trazer uma sonoridade original, isso é A Cor do Som.

Se você ouve a gravação de ‘Hino de Duran’ do Chico Buarque no disco ‘Ópera do Malandro’, fica claro que somos nós ali. Sempre achei a coisa mais importante nas artes, em geral, você ter uma coisa sua, original, uma cara própria. Com certeza, conseguimos isso.

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