Danilo Sacramento: “Me pediram para não fazer um repórter ‘marrom'”

Danilo Sacramento. Foto\ Reprodução de Instagram

Entrevista Exclusiva Apesar das críticas da galera que não entendem um bom deboche promovido pelo autor Aguinaldo Silva, a reprise da novela “Fina Estampa” é um sucesso. Aproveitando o embalo, entrevistei o ator Danilo Sacramento – o jornalista chato e sensacionalista Beto Jr da trama. Sua participação na novela não era tão certa assim… saiba o motivo.

cjmartim: Fina Estampa poderia ter sido reprisada à tarde, mas a Globo trouxe para o horário nobre neste período de pandemia. Ficou surpreso?

Danilo: Fiquei feliz! Eu nem esperava que fosse reprisada. Quando anunciaram, fiquei bem contente em poder rever as presepadas do Beto Jr.

cjmartim: Você na trama interpretava um jornalista. Muitos deles criticaram a forma como são retratados na novela, sempre movidos a ganância e exagerados. O que pensa disso e se na época sofreu alguma crítica.

Danilo: Fui confirmado para o papel dois dias antes de começar a gravar. Nem sabia ao certo o que esperar, ou como seria o perfil do personagem. Já trabalhei muito como apresentador e vídeo-repórter. Iniciei o trabalho me baseando na minha própria experiência e fui passar um dia na redação de um grande jornal. Todos repórteres me pediram para não fazer um repórter “marrom”. Eu disse que ele seria correto. Era o que os primeiros textos estavam me passando. Mas conforme novos roteiros foram chegando, fui percebendo que ele não era um cara tão legal assim (risos). Ai fui adaptando as intenções do personagem pra ele ser o que o autor pedia. Não sofri criticas pessoais, mas claro que o público vê o Beto Jr como um “vilão”.

cjmartim: Você não aparece em manchetes sensacionalistas em jornais nem programas de fofoca pela tarde. Esse circo midiático é muito tóxico?

Danilo: Sim, acho muito ruim. Uma exposição desnecessária e sem preocupação com o que pode causar. Fofocas triviais já fazem parte a muito tempo da vida de pessoas públicas, mas sempre tentam cavocar buracos mais fundos. Muitas vezes sem se preocupar com a verdade, ou com o outro lado da moeda.

cjmartim: Romantizar a pandemia, alegar que veio para melhorar o ser humano, não é muito ingenuidade esse pensamento por parte de algumas pessoas?

Danilo: Não quero entrar muito nesse assunto, que já virou jogo político e uma falta de humanidade tremenda. Não tem como romantizar algo que tirou e tem tirado tantas vidas. Conheço pessoas que perderam parentes e eu quase perdi amigos muito próximos. Acho que não veio pra “melhorar”, mas talvez como um alerta.

cjmartim: Um ator com tatuagens não corre o risco de receber personagens só com um determinado perfil? Não atrapalha o público em diferenciar um personagem do outro?

Danilo: Nossa! Sou suspeito pra falar. Tenho algumas grandes e coloridas que fiz antes de sonhar ser ator. Acho que sua pergunta seria referente para artistas com muitas tatuagens espalhadas pelo corpo, em lugares muito expostos. Aí sim, acho que ele(a) ficaria rotulado a uma certa gama de papeis. Mas hoje, a tatuagem faz parte e existem diversos atores tatuados. Temos técnicas pra cobri-las com maquiagens resistentes até a água. Inclusive nas novelas, vejo muitos atores aplicando tatuagens falsas pra compor seus personagens (risos). Eu realmente espero que não seja um problema porque estou doido pra fazer mais uma! (risos).

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