João Fenerich: “Eu sou o tipo de ator que gosta de ser dirigido”

João Fenerich \ Foto: Daniel Sammy

João Fenerich, o Dr. Soares em “Quanto Mais Vida, Melhor”, aceitou embarcar na trama louca do autor Mauro Wilson e tem aproveitado a oportunidade. Nesta entrevista exclusiva, o ator comentou sobre a pandemia, ambições na carreira e todos os mistérios da relação de um ator com o diretor e o querido público. 

cjmartim: Assustado, revoltado ou conformado com a pandemia que assola o mundo?

Impossível estar conformado com uma situação que matou mais de 600 mil pessoas só no nosso país e que sabemos que tem apenas um culpado, né?! Mas no começo de tudo, fiquei muito assustado, principalmente pela falta de informação e perspectiva sobre o que estávamos vivendo. Depois, muita revolta por ver como as coisas estavam sendo conduzidas por aqui. Hoje, o sentimento é só de que isso passe logo e que tenhamos cuidado uns com os outros.

cjmartim:  Como apareceu a oportunidade de integrar o elenco de “Quanto Mais Vida, Melhor”?

Eu estava em SP quando o Guilherme Gobbi [produtor de elenco] me ligou dizendo que teriam teste para a novela. Naquele momento ele não me chamou para o teste em si, mas para ajudá-lo dando réplica para testarem outros atores. Enquanto eu fazia, o Allan e o Pedrinho [diretores da novela] me perguntaram se eu não toparia fazer o teste naquela hora mesmo, porque eles achavam que tinha um personagem no meu perfil. Acabou não rolando para este personagem que eles falaram e a novela, por conta da pandemia, foi paralisada. Em novembro, quando tudo começou a voltar, eu recebi uma ligação do Gobbi dizendo que tinha surgido um outro personagem e que eu estava aprovado para viver o Dr. Soares. E olha, não existe ligação melhor de se receber do que sendo aprovado para um projeto desses!

cjmartim: Quando a atuação do ator agrada o diretor e não ao público o que fazer?

Acho que não tem muito o que fazer. Um diretor que sabe o que quer e que tem uma proposta – mesmo que ousada – é o que me dá tesão no trabalho. Eu sou do tipo de ator que gosta de ser dirigido e acredito muito nos diretores com quem tenho trabalhado até esse ponto da minha carreira. E espero seguir assim. Acho que grande parte do público acaba não gostando mais das escolhas que o ator faz para seus personagens do que suas atuações em si e isso acaba sendo muito confundido.

João Fenerich. Foto: Paulo Belote / TV Globo

cjmartim: A novela fala de segunda chance. Acredita que a vida é uma constante desculpa?

Não, não acredito! Acho que a vida não é uma constante desculpa, mas sim que buscamos desculpas para justificar muitas das nossas escolhas de vida – e que, muitas vezes, são passíveis de reavaliações.

cjmartim: Quais suas ambições como ator no longo prazo?

Eu quero muito fazer cinema e projetos internacionais. Aproveitar que tenho domínio de alguns idiomas (como inglês, espanhol e francês) e explorar esse intercâmbio artístico que vem acontecendo ultimamente. Fazer cinema e projetos internacionais estão, com certeza, nos meus planos a médio-longo prazo.

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